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Você está criando ou destruindo valor na sua empresa?

23/10/2017   publicado por: Sobral Gráfica

Por Walmir Marques
Economista, Mestre em Administração de Empresas pela PUC Minas/Fundação Dom Cabral.
Qual é a medida de sucesso do seu negócio? Esta parece ser uma perguntaque atormenta os proprietários e administradores. A resposta está associada à capacidade da empresa em gerar valor para os seus proprietários, o que
na teoria financeira significa obter um retorno superior à remuneração mínima por eles admitida. Ou seja, não basta ter lucro: estes precisam atingir níveis mínimos adequados, seja agora, como também em perspectiva.
Nas empresas com ações negociadas do mercado é possível acompanhar um indicador que mede a confiança dos investidores na geração de resultados sustentáveis das empresas. Trata-se da relação “ Valor de mercado da ação / Valor patrimonial ”. Por que os investidores estão dispostos, em alguns casos, a pagar um valor acima do valor patrimonial na aquisição de algumas ações (olhemos o caso de empresas como Amazon e a Apple) e, ao contrário, noutros casos só aceitam pagar um valor inferior (olhemos o caso recente das ações da Petrobrás).

Precisamos, para entender esse fenômeno, recorrer aos modernos conceitos de avaliação de empresas, mais conhecido como “ valuation”. O princípio básico do “ valuation” é que o valor não decorre simplesmente dos ativos fixos da empresa, mas de sua capacidade de gerar caixa ao longo tempo em níveis suficientes para, no mínimo, pagar a remuneração desejada por seus investidores.Ao se dispor a pagar pela ação da Apple um múltiplo do seu valor patrimonial, o investidor, olhando para a frente, enxerga que o modelo de negócio da empresa vai proporcionar ganhos extraordinários para o seu investimento. O caso da Petrobrás, ao menos nos últimos anos, aponta na direção oposta, da destruição de valor.

“ O princípio básico do valuation é que o valor não decorre simplesmente dos ativos fixos da empresa, mas de sua capacidade de gerar caixa ao longo tempo em níveis suficientes para, no mínimo, pagar a remuneração desejada por seus investidores.”

Uma das medidas para avaliar a agregação de valor é o Valor Econômico Agregado, muito conhecido pela sigla em inglês EVA ou Economic Value Added. Ela se baseia na geração de lucros excedentes, ou acima do nível mínimo satisfatório para os acionistas. Admitindo-se que os proprietários da empresa “X” investiram R$6 milhões, com a expectativa de retorno de 15% ao ano, ou seja, de um retorno de R$900 mil, e que essa empresa gerou, neste último exercício, um lucro líquido de R$1,2 milhão, então concluímos que a rentabilidade final foi de 20%, com um Valor Econômico Agregado – EVA de R$300 mil. Admitindo-se, ainda, que esse nível de lucro excedente (EVA) se repetirá ao longo do tempo, numa perpetuidade, chegaremos a outra medida relevante chamada de Valor Agregado de Mercado (MVA), que é calculado dividindo esse EVA perpétuo de R$300mil pelo custo de capital de 15%, o que gera um Valor Adicionado de Mercado de R$2 milhões, com referida empresa valendo R$8 milhões (investimento inicial + MVA).

Para finalizar, quais as fontes de geração de valor na empresa, que fazem com que seus resultados ao longo do tempo gerem EVA’S sustentáveis? Esse valor excedente, também conhecido como goodwill , é determinado pelos seus ativos
intangíveis, como marca, patente, imagem, inovação, qualidade de gestão, dentre outros. São as estratégias e capacidades diferenciadoras que formam as vantagens competitivas da empresa frente aos seus concorrentes que de-
verão sustentar tal desempenho.

“São as estratégias e capacidades diferenciadoras que formam as vantagens
competitivas da empresa frente aos seus concorrentes que deverão sustentar tal
desempenho.”